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Economia
20/08/2016 06:10
Após seis dias de alta, dólar recua e fecha em 1,03% com menor ação do BC
Moeda americana ficou cotado a R$ 3,20 nesta sexta-feira
Após seis dias de alta, dólar recua e fecha em 1,03% com menor ação do BC | Foto: Eugênio Bortolon / Especial / CP Memória

O dólar teve uma sessão de correções e voltou a cair frente ao real nesta sexta-feira, depois de seis altas consecutivas. A realização dos lucros recentes foi deflagrada pela decisão do Banco Central (BC) de reduzir a oferta de contratos swap cambial reverso, voltando ao montante dos 10 mil contratos da ração diária ofertada até a metade da semana passada.

Após ter subido 3,47% em seis dias de alta, o dólar à vista recuou 1,03% nesta sexta e fechou cotado a R$ 3,2046. No cenário internacional, no entanto, a tendência majoritária foi de alta do dólar.

A sexta-feira foi de noticiário bastante escasso, o que levou os investidores a estender o olhar para os eventos esperados a partir da próxima semana, que terá agenda extensa e relevante.

No Brasil, o principal destaque será a entrada na fase final do processo de impeachment da presidente afastada, Dilma Rousseff. Para os investidores, a confirmação de Michel Temer como presidente efetivo deverá ser marcada por um endurecimento de seu discurso, de forma a garantir o avanço das medidas de ajuste fiscal.

Na tarde desta sexta, Temer reuniu-se com ministros e parlamentares em São Paulo, para tratar de temas de interesse do governo no Congresso, entre eles o Orçamento para 2017, a recriação da Desvinculação das Receitas da União (DRU), a renegociação da dívida dos Estados e aumentos para o funcionalismo público. Para o mercado, a leitura desse encontro é que Temer já trabalha nessa nova postura.

Nos Estados Unidos, a expectativa maior é pelo discurso da presidente do Federal Reserve, Janet Yellen, na sexta-feira, dia 26. A alta do dólar frente a outras moedas foi favorecida pela percepção de que a retomada do ciclo de aumentos de juros nos Estados Unidos pode acontecer ainda este ano, ao contrário das apostas majoritárias de dias atrás.

Isso porque a ata "dovish" do Federal Reserve, divulgada na quarta-feira, não apagou totalmente a luz amarela acesa um dia antes pelo presidente do Fed de Nova York, William Dudley, que acenou com a possibilidade de elevação de juros já na reunião de política monetária de setembro.


Bovespa

Os investidores preferiram ficar de fora da Bolsa nesta sexta-feira e o Ibovespa terminou de lado, mas conseguiu encerrar a semana no azul, com ganho de 1,37%. A pressão negativa veio dos mercados acionários em Wall Street, onde o dia foi de realização em meio a dúvidas sobre os próximos passos do Federal Reserve.

O petróleo também deu sinais de fraqueza após seis sessões de recuperação, o que, por aqui, pesou nos papéis da Petrobras. Por outro lado, as ações da Vale subiram cerca de 1% e ajudaram a reduzir as perdas do índice à vista, em meio a negociações para venda de minério de ferro para uma instituição chinesa pelo período de 30 anos. O investimento seria da ordem de US$ 9 bilhões.

No campo político, há expectativa pelo desfecho da reunião do presidente em exercício, Michel Temer, com parlamentares e ministros para discutir o andamento do ajuste fiscal. Segundo operadores, com a proximidade da conclusão do processo de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff, o mercado espera um posicionamento mais firme do governo Temer em relação à situação fiscal do País.

O Ibovespa terminou esta sexta-feira em queda de 0,11% aos 59.098,92 pontos, depois de passar praticamente todo o pregão em território negativo. Na mínima, foi aos 58.599 pontos (-0,96%), enquanto num breve momento de alta chegou a subir 0,12%, aos 59.240 pontos, na máxima. O volume financeiro somou R$ 5,49 bilhões. No mês de agosto, a Bolsa acumula ganho de 3,13%, e no ano, valorização de 36,33%.


Taxas de juros

Os juros futuros encerraram em baixa a sessão regular da BM&FBovespa desta sexta-feira, devolvendo boa parte da alta registrada na véspera. Em dia de agenda de indicadores mais restrita, a curva a termo reagiu à redução do lote de contratos de swap cambial reverso no leilão do Banco Central, sendo influenciada ainda pela expectativa positiva em relação à reunião de Michel Temer para discutir o andamento do ajuste fiscal.

O contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2017 (29.225 contratos) fechou em 13,980%, de 13,990% no ajuste de quinta-feira, 18. O DI janeiro de 2018 encerrou em 12,69%, com 67.220 contratos, ante 12,74% no ajuste anterior. O DI janeiro de 2019 (87.930 contratos) caiu de 12,18% para 12,12%. O DI janeiro de 2021 (68.195 contratos) terminou na mínima de 11,87%, de 11,95%.

Fonte: Correio do Povo

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