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Santa Catarina
17/11/2016 09:13
Mais de 30 precisam refazer cirurgia após problema com material em SC
Em Criciúma, mulheres passaram por procedimento e pioraram. Problema estaria em material usado na cirurgia.

Mais de 30 pacientes foram chamadas para refazer cirurgia na bexiga em Criciúma, no Sul de Santa Catarina. O problema estaria no material usado no procedimento, como mostrou o RBS Notícias desta quarta-feira (16).

"A dor é insuportável, que estou abaixo de morfina", resumiu a paciente Marines Kaufmann, de 48 anos. Ela foi operada em um mutirão da Secretaria de Saúde de Criciúma. Porém, por causa da tela usada no procedimento, muitas pacientes foram chamadas para refazer a cirurgia.

Todas elas sofriam de incontinência urinária, conhecida como bexiga baixa. Há casos em que a saída é uma cirurgia chamada sling. Uma tela é colocada abaixo do canal da bexiga para sustentar o órgão no lugar certo.

E é justamente a tela usada pela Secretaria de Saúde que teria causado o problema. O urologista Cristiano Ribeiro disse que a o material que foi usado é indicado para cirurgias de hérnia e não para as feitas nas pacientes de Criciúma.

"Ela arrebentou , ela está enrolada no útero, onde causa dor sangramento. A bexiga continua mais ainda para baixo", lamentou Marines.

"É muito importante que o paciente saiba que material que está sendo colocado. Porque se amanhã ou depois vier uma complicação, é importante até para o médico saber 'ah, estou tendo uma complicação com determinado material. Então talvez esse material não seja tão bom'", disse o urologista.

Custos e substituição
Os modelos importados custam de R$ 1,3 mil a  R$ 1,6 mil por paciente. A tela usada pela Secretaria de Saúde de Criciúma custa quase metade do valor e pode ser usada em até 10 pacientes. O secretário da pasta, Victor Benincá, disse que está usando o modelo mais caro nas cirurgias refeitas.

"O que a gente fez hoje, a Secretaria, a gente buscou no mercado privado uma tela melhor, uma tela mais específica para esses casos, para que a gente possa ter um índice de sucesso em resolubilidade maior ainda", afirmou.

As mulheres que já refizeram a cirurgia ainda não sabem se o problema tá resolvido. "No momento eu não to sentindo dor. Mas é o só o tempo para eu ver se realmente parou, adiantou, se não vai precisar outra", disse uma paciente que não quis se identificar.

Marines ainda não tem cirurgia marcada. "Tenho filho pequeno, tenho filho cadeirante. Do jeito que eu estou, eu não posso ficar. Corre o risco de eu ter uma hemorragia e não resistir. Eu preciso criar os meus filhos", disse.

A médica que realiza as cirurgias se comprometeu a atender todas as pacientes que tiveram algum problema, e se for necessário, a tela será retirada. Ela disse ainda que complicações podem acontecer mesmo nas pacientes que são operadas usando outros tipos de tela.

Fonte: G1

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