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Palmeiras preocupa
17/04/2017 10:44
Passivo e incapaz de se reinventar, Palmeiras preocupa em Campinas
Derrota de 3 a 0 para a Ponte Preta mostra problemas incompatíveis com o elenco que o clube montou. Atletas aceitam marcação e dão liberdade ao adversário

O Palmeiras em Campinas foi avesso àquele que insistiu até os 54 do segundo tempo para arrancar uma vitória sobre o Peñarol menos de quatro dias antes. Foi a campo para jogar amistoso contra um time que decidia Copa do Mundo. Quando viu, estava atropelado.

A passividade foi um ponto central da derrota – admitida pelos jogadores e pelo treinador. E é uma tentação determinar que foi por causa dela que o Palmeiras perdeu. Mas diagnosticar isso é diagnosticar pouco.

O Palmeiras também foi desordenado, pouco criativo e incapaz de modificar o panorama do jogo. Atletas e comandante foram mal. E o 3 a 0 se explica pelo casamento dessas falhas com um ponto soberano: a Ponte jogou muito.

O Palmeiras foi a campo com a mesma equipe do duelo com o Peñarol – com a exceção do retorno de Jean na lateral direita. O desenho do meio foi parecido: Felipe Melo atrás, com quatro jogadores entre ele e Borja – Willian aberto pela direita, Dudu espetado na esquerda, Tchê Tchê e Guerra mais centralizados.

Willian, porém, se libertava mais para investidas ofensivas – ou por orientação do treinador, ou por cacoete de atacante. Do alinhamento desse meio é que sai a base do Palmeiras: eles precisam estar coordenados para encurtar espaços, ligados para ocupar o campo, solidários para fazer movimentos em bloco. E nada disso aconteceu em Campinas.

O primeiro gol já mostrou os problemas. Com menos de 50 segundos, a Ponte bombardeou Fernando Prass com três chutes até fazer o gol. No último, o que resultou no desvio fatal de William Pottker, Tchê Tchê não acompanhou Jeferson. Ele vinha correndo, mas desistiu já na primeira conclusão. Se tivesse mantido a perseguição, poderia ter evitado o gol.

Logo depois, aos sete minutos, a Ponte ampliou. Em saída rápida de contra-ataque, Pottker venceu carrinho de Edu Dracena e acionou Lucca entre três marcadores – Jean, Mina e Zé Roberto. Foi enorme mérito do goleador da Ponte. Mas é interessante observar que nenhum jogador de meio-campo do Palmeiras ficou em condições de bloquear a jogada. Eles viram as ações de longe. E a defesa ficou exposta à velocidade da Ponte.

Com 2 a 0 contra, o Palmeiras precisaria criar, e aí se viu outro problema. O time foi quadrado, careta. Jogadores de grande mobilidade, como Dudu e Tchê Tchê, não conseguiram se locomover para envolver a marcação adversária. Caíram na rede da Ponte e ficaram ali, absortos. E o próprio Palmeiras não fez o mesmo com a Ponte – como demonstraria o terceiro gol.

No intervalo, Eduardo Baptista tentou agir. Mandou Michel Bastos a campo no lugar de Guerra e modificou a forma de o time jogar: Willian foi de vez para o ataque, ao lado de Borja, e Tchê Tchê recuou para não deixar Felipe Melo sozinho. Michel Bastos e Dudu ficaram mais responsáveis pela criação - inclusive invertendo lados.

O Palmeiras adiantou seu posicionamento, ocupou o campo ofensivo e melhorou um pouco. Tornou-se mais seguro, mas seguiu frágil no ataque. Ou seja: a troca não foi suficiente para uma mudança de panorama.

E aí cabia ao treinador tentar nova cartada. Mas a aposta de Eduardo Baptista foi conservadora: trocou um centroavante por outro – Borja por Alecsandro. Róger Guedes, sua melhor alternativa no banco, só foi a campo aos 25 do segundo tempo – no lugar de Willian. Também não conseguiu produzir.

A arbitragem ainda ignorou um pênalti claro a favor da Ponte (de Prass em Pottker). A derrota poderia ter ficado ainda mais feia.

Do mosaico de preocupações que o jogo deixou para os palmeirenses, a mais importante é a incapacidade de se reinventar na partida. O clube deu ao treinador jogadores de sobra para criar uma rede de alternativas para momentos de dificuldade. E ele escalou atletas capazes disso: de se movimentar, de desarrumar defesas, de sair do básico.

Mas não foi o que eles fizeram contra a Ponte. Foram passivos em comportamento, mas também em capacidade tática. Mereceram a derrota – assim como haviam merecido a vitória sobre o Peñarol.

Fonte: Globoesporte

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